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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ESCOLA BOMBRIL, ONDE ESTÁS?

Por Zilanda Souza

O momento é oportuno, muitos artigos sobre a escolha da escola ideal, como preparar os filhos para a entrada numa nova rotina. Ansiedade e expectativa em encontrar  uma instituição completa; afinal, elas vão acolher o nosso bem mais precioso: nossos filhos!

Sem retirar a importância de uma boa escola, com profissionais capacitados e estrutura adequada, quero propor neste texto uma reflexão inversa:

Qual é a estrutura familiar  que impulsiona a vida escolar das crianças? 

Como é organizada essa família que procura uma escola ideal? Como ela pode impulsionar e melhorar não apenas a vida escolar dos filhos, assim como influenciar a própria escola? 

Não se enganem, as boas escolas são constantemente influenciadas pelas famílias que as compõem. Então se você deseja uma boa escola para o seu filho, você pode ajudar a construí-la! E se você deseja uma rotina escolar viva e feliz para o seu filho, você é parte fundamental para isso, tanto quanto a escola. Neste último caso, família e escola casam-se em prol desse objetivo. O que podemos fazer então para impulsionar a vida escolar dos nossos filhos? 

1- DEIXE AS CRIANÇAS PARTICIPAREM DA ESCOLHA DA ESCOLA E  DOS MATERIAIS:

Prefira o valor do momento do que a praticidade. Permita que a criança visite as escolas junto com você, faça perguntas, expresse seu sentimento em relação ao ambiente.  Pode ser mais prático sair do trabalho e correr na loja de material escolar e fazer a compra. Porém,  é bem mais significativo fazer  na companhia dos filhos, reservar um momento especial, aproveitar o contexto da lista, trabalhar sobre os conceitos de necessário e supérfluo. Esses momentos estabelecem vínculo afetivo da criança com a escola e  com o novo ano. 
Não se esqueça: a escola é deles, os materiais também. Esse conceito precisa ser apropriado para que outros conceitos sejam aprofundados, tais como: o dever de casa é da criança, a organização da mochila também. 

2- ORGANIZEM JUNTOS A SALA DE ESTUDOS. 

Antes de começar o ano letivo, sente com o seu filho e busquem na casa um cantinho especial para estudar, para colocar os livros. O cantinho que liga a família à escola e vice-versa. Esse lugar físico, acolhe todos os assuntos sobre a escola. Talvez o espaço já exista, mas seja necessário mudar, assim como vão mudar os professores e o ano. 
Evite dividir material da sala de estudos com a escola. Por exemplo: o estojo de lápis da mochila não precisa ser retirado. Inclua um estojo para o cantinho de estudos. 
Livros, cadernos, horários e cronogramas de aulas, rotinas devem ficar afixados e guardados na sala de estudos. A criança precisa de um espaço físico para se situar nessa nova rotina. É neste espaço que ela deve se organizar.  

3- ESTABELEÇA A COMUNICAÇÃO CONTINUADA COM A ESCOLA.

Evite construir com a escola o conceito de "comunicação final". O que isso significa? Não espere o final da etapa, reuniões, notas baixas, acidentes ou conflitos para estabelecer comunicação. 
Crie o hábito da "comunicação continuada". Para a educação infantil semanal. Para o ensino fundamental, quinzenal. E para o Ensino Médio mensal. Ensino Médio? Sim! Adolescentes precisam de norte, suporte e amparo também! Eles vivem a fase do distanciamento da família, mas nós não! Já passamos dessa fase! Como  família, damos liberdade e limite na proporção certa. Enquanto forem menores de idade respondemos por eles diante da sociedade. 
Nesta comunicação continuada, inclua bilhetinhos para saber como foi a semana, elogie as atividades diferenciadas que foram alvo de mobilização e agito em casa. Para os adolescentes, utilizem o e-mail ao invés da agenda para evitar constrangimentos. Mas deixe-os saber que essa comunicação existe e que você a valoriza muito. 
Evite julgamentos precipitados, aprenda a perguntar a escola o procedimento que você não entendeu e ensine seu filho a fazer o mesmo. 
Comunique com a escola o estabelecimento da comunicação continuada, veja quando e a quem deve ser endereçado os bilhetes e e-mails. 
Acolha com atenção os bilhetes da escola. Lembre-se de que se trata de uma comunicação à distância, então assinar os bilhetes ou responder o e-mail recebido é importante para que as escola identifique o seu conhecimento. 

4- CONHEÇA PREVIAMENTE O SISTEMA DE FUNCIONAMENTO DA ESCOLA. ROTINAS E SISTEMA DE AVALIAÇÃO.

Trabalhar com o conhecimento prévio evita muitos desgastes. Conheça a rotina de trabalho da escola. Sistema de  avaliações, trabalhos, roteiros de estudos, calendário de provas.  
Como são feitas as correções das atividades? Os cadernos são recolhidos? A correção é coletiva e ao quadro? Procure conhecer e organizar dentro da rotina da criança um espaço para essa estrutura. A criança precisa construir o conceito de estar  inserida numa instituição com regras e normas e tudo isso precisa se encaixar de forma saudável em sua rotina. 

5- ESTIMULE O HÁBITO DE ESTUDO DIÁRIO

Evite estimular o mau hábito de agir sempre na urgência: 
- Tenho prova! Preciso estudar! 
- Que dia é a prova? 
- Amanhã!
A sala de estudos deve ser visitada todos os dias. A criança pode e deve escolher seu horário de estudos, mas é preciso monitorar o cumprimento. É preciso desconstruir a ideia de estudar apenas para acumular pontos ou garantir a média na prova. Estuda-se todos os dias para um benefício próprio, como a alimentação beneficia o corpo.  Aprendizagem é fruto de novas memórias, portanto é preciso vivenciar revisões e releituras todos os dias. 

6- ACOMPANHE O ESTUDO DOS FILHOS E O TRABALHO DA ESCOLA

Periodicamente  observe os cadernos, livros, roteiros de estudos e as avaliações dos filhos. Acompanhe a coerência do trabalho: atividades vivenciadas em sala de aula, atividades de casa, correções, roteiro de estudos e questões das avaliações. Verifique o trabalho da escola e o trabalho do seu filho. 
Independente da instituição, seja ela pública ou privada, nós enquanto cidadãos pagamos por ela. De alguma forma, por via da contratação ou do pagamento de impostos, somos nós que fazemos fluir o setor. Precisamos investigar injustiças e incoerências. Infelizmente, ainda existe queixa por falta de ensinagem e avaliações incoerentes com as aulas ministradas. 
Acompanhe, comunique com a escola e estabeleça o princípio do monitoramento do serviço prestado. 

7- PREFIRA SEMPRE O DIÁLOGO E A ORGANIZAÇÃO PRÉVIA. 

Ouvir é sempre importante. Ouça seu filho. Observe como ele se comporta diante dos desafios escolares. Não espere situações de fracasso escolar para repensar e agir. Cuidado com as ideias do vizinho. Serviram para ele, talvez não sirva para você e sua família. 
Quanto maior o exercício de observação, maior é a nossa capacidade de perceber alterações no comportamento, envolvimento e humor diante das atividades escolares. 

8- A AGENDA DO SEU FILHO ALTERA SUA AGENDA.


Isso mesmo! A agenda do seu filho vai propor mudanças em sua agenda. Compromissos do tipo:
a) Dia de bilhete para a escola
b) Monitoramento dos cadernos, livros e provas
c) Momento ouvir...(o melhor horário para ouvir meu filho e observá-lo)
d) Hoje tem reunião na escola.

Muito cuidado com as síndromes da "Mãe sabe tudo", "Família poderosa" ou a "Escola Bombril". Diante da importância da vida escolar dos filhos e da consciência de que não é possível terceirizar a responsabilidade familiar, é melhor construir uma agenda, visualizar um tempo específico para que sejam garantidos o acompanhamento familiar como impulsionador da vida escolar dos filhos. 

O encontro da escola ideal e de uma aprendizagem feliz perpassa por uma família. 








domingo, 3 de janeiro de 2016

UM PIQUENIQUE E UMA VERDADE

Por Zilanda Souza

Brasília, 03 de janeiro de 2016. O primeiro domingo do ano. Minha família e um parque. Foi assim que vivenciamos esse dia. Desde o desejo, a mobilização, a organização das bicicletas, sanduíches, queijos  e vinho, até a escolha do melhor cenário e por fim, viver entre risos, passeio de bike, andar na chuva, comer juntos e brindar aquele presente. Isso mesmo! Estar ali, naquele parque, em família no primeiro domingo do ano foi um presente. 

Como tudo que vivo, que marca minha vida, procuro retirar lições, aprender e compartilhar. Aquele momento era nosso, idealizado, organizado e vivido por nós. A importância e a nobreza de estar a li, vinha de dentro, tinha propriedade e significado em nós. Quem ou o que nos daria um prazer igual? Quem ou o que substituiria aquele momento com igual valor? 

Então refleti sobre  nossas expectativas e a confusão mental que fazemos em relação às tais expectativas e o entorpecimento da  substituição. 

Queremos a melhor escola para os nossos filhos, os melhores professores mas isso não substitui a presença da família. Nenhuma escola fará o que uma família deve fazer. Ninguém amará nossos filhos, com o mesmo amor que os amamos. 

Queremos a melhor equipe de trabalho, os melhores resultados, mas isso não substitui a nossa reflexão individual sobre nossa conduta, competência e envolvimento pessoal para com o nosso trabalho. 

Queremos melhorar nossos ganhos, conquistar e aumentar o poder de compra, mas isso não substitui  nossa sede interior. Dinheiro,  não nos faz melhores pessoas, não nos torna mais humanos, nem ao menos garante companhia e sustenta felicidade. 

Queremos ornamentos externos, mas essa decoração não alcança nosso coração, não aformoseia a alma. E por mais algum tempo, a feiura do egoísmo, da falta de amor e perdão saltam pelo batom de marca e pela calça de grife. O exterior  não dilata o interior, muito menos o transforma.

Um piquenique e uma verdade: deseje, crie expectativas, lute pelo melhor, conquiste, mas não substitua nem terceirize o momento, o comportamento e a atitude que é apenas sua! Quando conseguimos viver essa verdade, vencemos os vícios da "eterna insatisfação" e a ideia entorpecida de completude no outro, na próxima novidade tecnológica , nas instituições que nos serve, enfim; no terceiro, que neste caso, não existe!