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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

VOCÊ CASTIGA SEU FILHO POR CAUSA DO BAIXO DESEMPENHO ESCOLAR?



                                                                                                           Por Zilanda Souza


No atendimento aos pais, esta é uma pergunta muito presente: devo castigar meu filho por causa do seu baixo desempenho escolar? 

Os pais querem respostas, eu porém  refaço a pergunta: como vocês se sentiriam se fossem castigados por não conseguirem realizar uma tarefa? Como se sentiriam sendo repreendidos por não saberem determinado conhecimento? 

Primeiro é preciso compreender o que a maioria dos pais chamam de "castigo". Normalmente eles relacionam  a castigo, o fato de privar os filhos  de prazeres, tais como televisão, vídeo game, passeios, uso de celular, futebol e academia.

Minha pergunta como terapeuta da aprendizagem é: ausência de celular, vídeo game, televisão, passeios, ensinam os conteúdos que os filhos não sabem? Déficits de aprendizagens são supridos com os tais castigos? 



Então é preciso ir mais fundo nesta questão. Aprender exige mobilização de alguns recursos externos e internos. É preciso observar quais os recursos externos são oferecidos às crianças/adolescentes: 
  • Seu filho tem uma rotina construída em família? Como está organizado o dia do seu filho? Há diversidade de atividades, tais como intelectuais, físicas e livres como o uso do celular e computador? 
  • Vocês reconhecem os esforços do seu filho? Conseguem enumerá-los?
  • Qual o lugar dos presentes na família? Quando os filhos são presenteados? Eles costumam receber presentes e benefícios sem motivo justo para tal? Há carência de reconhecimento e benefícios?
  • Em que ambiente seu filho estuda? Alguns adolescentes tendem a escolher o quarto, mais precisamente a cama para estudar. Esta é uma posição que nem sempre colabora com o aprender. É preciso postura adequada  e ambiente tranquilo. 
  • Quais são os distratores presentes no ambiente de estudos? Algumas crianças/adolescentes, querem estudar com os livros, computador, celular e televisão ligados. Alguns dizem dar conta e provam isso com alto rendimento. Outros não. Cada criança/adolescente tem construída sua forma individual para estudar. A atenção seletiva, capaz de inibir os distratores e selecionar o que é importante, nem sempre é encontrada em níveis satisfatórios no funcionamento do córtex pré-frontal e portanto, esse dado sinaliza a necessidade de preparar esse ambiente, retirando ao máximo os distratores. Observe seu filho e veja como ele estuda melhor!
  • Como acontece o monitoramento dos estudos? Crianças/adolescentes precisam desenvolver autonomia para estudar, porém a família precisa construir uma forma diária/semanal para monitorar esses estudos, certificando que o dia/semana foi produtivo (a), ouvindo-os sobre os avanços e  as dificuldades que ainda persistem.

Os itens acima retratam uma mobilização externa para o aprender. Espera-se que esta mobilização interfira positivamente nos processos internos que acontecem nas mentes dos nossos meninos, construindo finalmente novas memórias. E se não acontecer, entramos com o castigo? Não!

Quando o baixo rendimento ainda persiste, mesmo sob uma mobilização externa familiar adequada é preciso avaliar as funções cognitivas e executivas da criança/adolescente. Este é um sinal importante de que algo internamente pode não estar funcionando como deveria. Portanto é preciso investigar e tratar!

Pressionar, castigar, estabelecer  cargas pesadas de estudo para uma criança/adolescente com risco para transtornos  é fazer o papel de inimigo do desenvolvimento. Quadros como estes, acabam desencadeando outros comportamentos complicadores: aversão à escola, indisciplina, baixa autoestima, dentre outros. 

O sistema de disciplina na família precisa ser coerente ao que as crianças/adolescentes podem oferecer. Para implantar as regras é preciso ter certeza de que as mesmas foram devidamente ensinadas e que os filhos não estão sofrendo com a ausência exacerbada dos pais.

As regras e os limites construídos, bem como o sistema disciplinar da família, devem expressar amor e interesse pelos filhos. Não se deve disciplinar um filho porque ele não sabe potenciação. Mas se foi instituída a regra do estudo diário, e ele não a cumpriu devidamente, então ele deve ser disciplinado porque não cumpriu a agenda de estudos. 

Saber o momento para  ensinar, disciplinar e tratar, depende do critério de presença dos pais, quanto mais presentes na vida dos filhos, mais informações os pais terão de como agir e do momento certo de encaminhar os filhos a um terapeuta da aprendizagem. 

domingo, 1 de novembro de 2015

UM NOVO CONCEITO PARA A PALAVRA "DEFICIÊNCIA"



                                                                                     Por Zilanda Souza

2 de janeiro de 2016, entra em vigor a Lei Brasileira de Inclusão. Relatada pela deputada Mara Gabrilli, na Câmara dos Deputados, e pelo senador Romário, no Senado, a lei traz a inversão do conceito de deficiência. 

A deficiência não poderá mais ser usada como argumento para uma pessoa não  fazer uso de direitos comuns a todos os  brasileiros. A deficiência não estará mais nas pessoas com  tetraplegia,  surdez, cegueira, naqueles que tem níveis baixos de intelectualidade, nem ao menos naqueles que são diagnosticados com o Transtorno do Espectro Autista. Isso mesmo! A partir do dia 2 de janeiro de 2016, a deficiência não é carga a ser levada pelas pessoas que nasceram ou adquiriram um funcionamento físico, neurológico ou psíquico atípico. 

Quer procurar pela deficiência? Procure-a nos espaços, nas instituições, nas propostas de trabalho. 

Calçadas, quarteirões, escolas, manejo de salas de aula, clínicas, propostas curriculares, hospitais, prédios estarão na mira dos "detetives da inclusão". Não poderemos tolerar mais espaços deficientes, excludentes. Nesse sentido, queremos erradicar a deficiência!

Espaços que se propõem a atender seres humanos, precisarão ser eficientes para isso. Não poderão fazer uso de marketing, nem de propostas excludentes e portanto deficientes. Isso é inclusão. Isso é garantir os mesmos  direitos a todos!



Fique ligado, em 2016 se for procurar  pela deficiência não procure nas pessoas!